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Rastreio

Carga tabágica (unidades maço-ano): como se calcula e quando dá acesso ao rastreio do cancro do pulmão

A carga tabágica resume num único número quanto se fumou ao longo da vida. Como se calcula em unidades maço-ano, o que fazer se o consumo mudou com os anos e porque é que as 20 unidades maço-ano são hoje o número que mais importa.

24 de outubro de 2026 · 4 min de leituraAtualizado: 24 de outubro de 2026
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Carga tabágica (unidades maço-ano): como se calcula e quando dá acesso ao rastreio do cancro do pulmão

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Carga Tabágica (Unidades Maço-Ano)

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Dizer «fumo há 30 anos» não é a mesma coisa se forem cinco cigarros por dia ou dois maços. Para comparar históricos de tabagismo muito diferentes, a medicina usa uma unidade que combina as duas coisas, quanto e durante quanto tempo: o maço-ano. Em Portugal, a carga tabágica exprime-se em unidades maço-ano (UMA); no Brasil fala-se de carga tabágica em anos-maço; no México e em boa parte da América Latina, de índice tabágico. É o mesmo cálculo com nomes diferentes.

A fórmula das unidades maço-ano

O Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos (NCI) define-a como o número de maços fumados por dia multiplicado pelo número de anos em que se fumou. Uma unidade maço-ano equivale a fumar um maço por dia durante um ano, ou dois maços por dia durante meio ano. O maço de referência tem 20 cigarros, pelo que, na prática: carga tabágica = cigarros por dia ÷ 20 × anos a fumar.

Exemplos de carga tabágica

10 cigarros por dia durante 20 anos

10 unidades maço-ano

Meio maço por dia durante duas décadas.

20 cigarros por dia durante 20 anos

20 unidades maço-ano

Exatamente o limiar usado hoje pelas recomendações de rastreio.

15 cigarros por dia durante 30 anos

22,5 unidades maço-ano

Fumar menos, mas durante mais tempo, também soma.

40 cigarros por dia durante 15 anos

30 unidades maço-ano

Dois maços por dia acumulam muito depressa.

Se o consumo mudou com os anos

Quase ninguém fuma o mesmo a vida inteira. A forma correta de fazer as contas é dividir o histórico em períodos de consumo estável, calcular as unidades maço-ano de cada um e somá-las. Alguém que fumou 10 cigarros por dia durante 10 anos (5 unidades maço-ano) e depois 30 por dia durante outros 10 (15 unidades maço-ano) acumula 20 unidades maço-ano, ainda que a sua média «a olho» pareça menor. É por isso que a nossa calculadora aceita até três períodos.

Deixar de fumar não põe o contador a zero

As unidades maço-ano são cumulativas: o que se fumou está fumado. O que muda ao deixar são os anos sem fumar, e isso conta. Segundo o grupo de peritos que define as recomendações de rastreio nos Estados Unidos (USPSTF), o risco de cancro do pulmão aumenta com a quantidade e a duração do tabagismo e diminui à medida que passam os anos desde que se deixou de fumar.

As 20 unidades maço-ano e o rastreio do cancro do pulmão

A razão pela qual este número se tornou tão importante é o rastreio com tomografia computorizada (TC) de baixa dose. Em 2021, a USPSTF alargou os seus critérios: recomenda uma TC de baixa dose por ano aos adultos dos 50 aos 80 anos com uma carga tabágica de 20 unidades maço-ano ou mais que fumam atualmente ou deixaram de fumar há 15 anos ou menos. Antes exigia 30 unidades maço-ano e começava aos 55.

A Sociedade Americana do Cancro (ACS) foi mais longe em 2023: mantém a idade dos 50 aos 80 anos e as 20 unidades maço-ano, mas deixa de ter em conta há quantos anos a pessoa deixou de fumar. Para a ACS, um ex-fumador com 20 unidades maço-ano continua a ser candidato mesmo que tenha deixado de fumar há duas décadas. Ambas insistem em que a decisão de começar seja tomada em conversa com um profissional de saúde, porque o rastreio também tem desvantagens, como os falsos positivos.

Critérios de rastreio anual com TC de baixa dose

Idade

50-80 anos

Igual na USPSTF 2021 e na ACS 2023.

Carga tabágica

≥ 20 unidades maço-ano

A USPSTF baixou-a das 30 unidades maço-ano de 2013.

Anos desde que deixou de fumar

≤ 15 (USPSTF)

A ACS não impõe limite: os ex-fumadores continuam a ser candidatos.

São recomendações norte-americanas

Os critérios da USPSTF e da ACS são os mais citados, mas cada país organiza o rastreio à sua maneira e, em muitos, ainda não existe um programa de base populacional. Se cumpre os critérios, o mais útil é falar com o seu médico de família ou pneumologista para saber o que está disponível onde vive.

E os cigarros eletrónicos, os charutos ou o cachimbo?

As unidades maço-ano foram pensadas para cigarros. Não existe uma equivalência validada para converter em unidades maço-ano o consumo de cigarros eletrónicos, charutos ou cachimbo, e por isso a nossa calculadora não a inventa. Se, além de cigarros, usa outras formas de tabaco ou nicotina, diga-o ao seu médico tal e qual: é informação útil, mesmo que não caiba na fórmula.

Fontes consultadas

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